4 de dez de 2017

Alexitimia


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As flores estavam murchas em mim. 
Por mais sol que eu lhes proporcionasse, por mais água que oferecesse, a minha terra era infértil, pútrida e cheirava a mofo. 
Os ramos já brotavam secos, retorcidos. 
Encolhiam-se para não ouvir o vento zombeteiro, que gargalhava ao tombar as pétalas judiadas. 
Do caule espinhento, a ceiva ácida percorria a linha das folhas, ocando, corroendo... 
Era como olhar para a paisagem de um grande incêndio. 
Já não havia nada que pudesse  ser salvo pelas lamúrias da chuva. 
No fim, as flores sempre estariam murchas, e a fantasmagórica gargalhada do vento lhe acompanharia por toda a eternidade. 

23 de ago de 2016

Tropeços



Eu tropecei, perdoe-me.
Tropecei nos meus devaneios, nas minhas inseguranças.
Segurei a mão dos meus demônios interiores e imergi cada vez mais fundo, atolando-me nos bueiros imundos da minha alma.
Deixei-me afogar na nostalgia, melancolia, melodia carmesim de dores a envolver os sentimentos puídos e os fluídos das lágrimas cristalizadas.
E na dança que envolve as veias, a desenhar as rubras linhas, devorando o íntimo, serpenteando pelos braços e transbordando suspiros e arritmias.
Ridicularizando poemas, poetas, desmontando as linhas, desencaixando estrofes, rasgo-lhes o verbo, o cerne, a carne, enquanto a languidez se faz presente, a romper os fios finos de pensamento.
Construo as tragédias no sorriso, embrulho os restos de coragem no peito.
O espelho mente, e os olhos castigam.