23 de ago de 2016

Tropeços



Eu tropecei, perdoe-me.
Tropecei nos meus devaneios, nas minhas inseguranças.
Segurei a mão dos meus demônios interiores e imergi cada vez mais fundo, atolando-me nos bueiros imundos da minha alma.
Deixei-me afogar na nostalgia, melancolia, melodia carmesim de dores a envolver os sentimentos puídos e os fluídos das lágrimas cristalizadas.
E na dança que envolve as veias, a desenhar as rubras linhas, devorando o íntimo, serpenteando pelos braços e transbordando suspiros e arritmias.
Ridicularizando poemas, poetas, desmontando as linhas, desencaixando estrofes, rasgo-lhes o verbo, o cerne, a carne, enquanto a languidez se faz presente, a romper os fios finos de pensamento.
Construo as tragédias no sorriso, embrulho os restos de coragem no peito.
O espelho mente, e os olhos castigam.


25 de fev de 2016

Neblina

Não tinha sentimento, não tinha coração. Nem espaço, ponto, interrogação.
Tinha apenas eu, um amontado de coisas, um monte de tralhas velhas no peito enchendo de poeira de tédio.
Continuar, recomeçar, reerguer, juntar.
Cansar, chorar, cortar, quebrar.
A neblina que pesa nos olhos, sobrecarrega a mente e endurece de frio os nós dos dedos e do pensamento.
Sem nada para oferecer, sem muito o que buscar.
Sem lugar pra se esconder, sem nada de interessante pra revelar.
Coisa triste é quando o sorriso do rosto não casa com o sorriso da alma.
Quando as palavras já não se juntam com tua boca.
Quando os braços já não fazem parte dos braços.
Tudo fica vazio, imenso, profundo.
Neblina para todos os cantos em mim.